Caso Marielle descortinou Rio carcomido pelo violação, diz sobrevivente

Justiça absolve PMs envolvidos em caso de mulher arrastada por viatura

Sobrevivente do atentado contra a vereadora Marielle Franco, a jornalista Fernanda Chaves afirma que “revolta” é a vocábulo mais próxima de reunir seu sentimento com as informações reveladas pela operação que prendeu os acusados de encomendar a morte da vereadora com quem trabalhava. 

“Foi preciso que mais de meia dez se passasse, foi preciso que um novo presidente da República assumisse para que esse caso recebesse o devido tratamento que merece: o de maior relevância da história política do Brasil desde a redemocratização. Foi preciso que uma força tarefa federalista assumisse a frente das investigações para que avançássemos nas investigações e, mais, descortinássemos a bizarra situação do Rio de Janeiro, absolutamente carcomido na sua institucionalidade pela atuação de organizações criminosas”.

Na manhã deste domingo (24), a operação Murder Inc. cumpriu três mandados de prisão preventiva e 12 mandados de procura e consumição, expedidos pelo Supremo Tribunal Federalista (STF), todos na cidade do Rio de Janeiro. De conformidade com fontes ligadas à investigação, foram presos Domingos Brazão, atual mentor do Tribunal de Contas do Rio, Chiquinho Brazão, deputado federalista do Rio, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Social do Rio.

Estado falhou

Fernanda afirma que, porquê única sobrevivente do violação que mobilizou o mundo, ela e sua família seguem cotidianamente sofrendo os impactos, ainda que tanto tempo depois. “Foram muitas promessas e pouco resultado. O Estado do Rio de Janeiro falhou miseravelmente quando permitiu que uma mando de seu principal e mais cosmopolita município fosse brutalmente assassinada, metralhada, em pleno Meio da Cidade, a poucos metros da sede da prefeitura, sob câmeras de trânsito, ao voltar de um dia geral de trabalho”. 

“Marielle Franco não merecia. O Rio de Janeiro não merecia. O Brasil e o mundo não mereciam. Marielle Franco unicamente cumpria (sim, com todo afinco, firmeza e dedicação que lhes eram característicos) a missão pela qual batalhou: tutelar, lutar pelos direitos daqueles e daquelas que fazem uma cidade intercorrer: os trabalhadores. Pelos direitos das mulheres, negros e periféricos. Ela foi arranque do convívio de sua família, amigos e curso por fazer unicamente o que lhe era devido”. 

A jornalista declarou solidariedade à família e aos colegas de trabalho de Marielle e Anderson e agradeceu à força-tarefa da Polícia Federalista, “por todo o zelo durante o processo; ao Ministério da Justiça por reconhecer a magnitude deste caso e tomá-lo porquê prioridade desde o primeiro dia do governo Lula”.

“Seguimos, agora, na luta pela devida responsabilização dos envolvidos nesse assassínio, mas também na luta para que o estado do Rio de Janeiro supere o caos a que está submetido, que impacta sobretudo a população mais pobre, subjugada pela atuação de grupos criminosos que dominam quase a totalidade do território fluminense”.

Manadeira: Sucursal Brasil