Comitê serpente reparação e medidas para que caso Marielle não se repita

Caso Marielle: relação com agentes públicos é alarmante, diz Anistia

A justiça para o assassínio de Marielle Franco e Anderson Gomes requer responsabilização dos culpados, reparação aos familiares e medidas de prevenção a novos casos de violência política, defendeu em nota o Comitê Justiça Por Marielle e Anderson, que reúne os familiares das vítimas, Anistia Internacional, Instituto Marielle Franco, Justiça Global e Terreno por Direitos.

“Continuaremos lutando por justiça para que a investigação sobre os mandantes avance, para que haja o devido julgamento de todos os acusados desse transgressão brutal que nos tirou Marielle Franco e Anderson Gomes e, sobretudo, para que a sociedade brasileira finalmente tenha as respostas às perguntas: quem mandou matar Marielle Franco e por quê?”, escreveu o grupo.

“Até hoje, a falta de respostas sobre quem mandou matar Marielle vem funcionando porquê um aval do Estado para que outros ataques à população negra, favelada e periférica ocorram”.

Na manhã deste domingo (24), a Operação Murder Inc. cumpriu três mandados de prisão preventiva e 12 mandados de procura e inquietação, expedidos pelo Supremo Tribunal Federalista (STF), todos na cidade do Rio de Janeiro. Foram presos Domingos Brazão, atual mentor do Tribunal de Contas do Rio, Chiquinho Brazão, deputado federalista do Rio, e Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Social do Rio.

O comitê destaca que a delação de Ronnie Lessa, criminado de ter matado Marielle e Anderson, mostra que agentes ou ex-agentes do Estado, dentre eles um patrão da polícia responsável pelas investigações, estariam envolvidos em todos os níveis do transgressão.

“Esse caso reflete a impunidade estrutural em casos de crimes cometidos por agentes ou ex-agentes do Estado contra a vida de defensores de direitos humanos e civis porquê Marielle e Anderson Gomes, segmentos da sociedade que sofrem lesões a direitos de forma massificada na sociedade e têm dificuldade estrutural de aproximação à justiça”.

O grupo considera que a impunidade dessas violações contra a população afro-brasileira permite a repetição de atos semelhantes e a perpetuação do racismo estrutural.

“Ressaltamos que, no Brasil, não há uma política de reparação aos familiares e vítimas de violência do Estado que garanta investigação independente, participação efetiva nas investigações, indenização e escora psicológico contínuo. Por isso, entendemos que o sistema de justiça, cá inserido as forças policiais em todos seus níveis, historicamente, não oferece respostas efetivas diante de vítimas de violência do Estado”.

Natividade: Dependência Brasil