Cordão da Pataratice descomemora golpe de 64 nas ruas de São Paulo

Cordão da Mentira descomemora golpe de 64 nas ruas de São Paulo

Em seu 12º ano, o Cordão da Pataratice descomemorou nesta segunda-feira (1º) os 60 anos do golpe de 1964 e também a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. O cordão carnavalesco, que sempre desfila no dia da moca, escolheu em 2024 o tema: De Golpe em Golpe: Tá lá um Corpo Estendido no Solo.

De Golpe em Golpe: tá lá um corpo estendido no solo foi o tema do desfile de 2024 do Cordão da Pataratice. – Paulo Pinto/Sucursal Brasil

O grupo deu início ao desfile em frente ao prédio do Meio Universitário Maria Antônia, da Universidade de São Paulo (USP), sítio em que, em 1968, ocorreu a chamada Guerra da Maria Antônia, envolvendo alunos da portanto Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e integrantes do Comando de Caça aos Comunistas, infiltrados na Universidade Mackenzie.

Segundo um dos membros do conjunto, o cineasta Thiago Mendonça, o cordão pretende invocar a atenção não só ao pretérito dominador brasiliano, mas também à atual violência de Estado, presente no cotidiano das periferias das grandes cidades.

Ato carnavalesco reúne artistas, militantes e movimentos sociais, na rua Maria Antoni. – Paulo Pinto/Sucursal Brasil

“Estamos pensando nessas heranças de 1964 que estão cá no presente, principalmente nas periferias e em todos os lugares onde uma certa forma de ditadura segue presente. Os esquadrões da morte viraram regra. Hoje você tem muito mais desaparecidos forçados do que você tinha na ditadura. Só no Rio de Janeiro você tem 50 milénio nos últimos dez anos”, destaca.

Mendonça ressalta que a percentagem de frente do conjunto tradicionalmente é formada por grupos de mães de vítimas de violência de Estado, porquê as Mães de Maio e as Mães de Manguinhos.

“O que queremos mostrar é que a gente vive nas periferias do Brasil um estado de exceção. Um estado de exceção permanente.”

Para Jade Percassi, da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terreno (MST), o conjunto tem a importante missão de dar visibilidade às recorrentes ameaças que a democracia brasileira tem sofrido nos últimos anos. “A gente está falando de um quase golpe há um ano, no 8 de janeiro, mas a gente está falando de um golpe real contra a presidenta Dilma [Rousseff] em 2016, e de outros tantos golpes perpetrados contra a democracia. Em que pese ela ter um monte de defeitos, é a que a gente tem e a gente vai lutar por ela”.

Manadeira: Sucursal Brasil