Coleção de campos nativos reúne rica diversidade de plantas e borboletas

Coleção de campos nativos reúne rica diversidade de plantas e borboletas

 

O que parece um “matinho” à direita da estufa do Jardim Botânico de Curitiba é, na verdade, a coleção dos campos nativos da cidade. A área de cerca de mil metros quadrados começou com o recebimento de um solo de campos naturais da CIC e vem sendo preservada desde então. Em sete anos, já foram inventariadas no local 206 espécies de plantas, entre ervas e arbustos nativos, além de 273 espécies de borboletas.

Todo esse trabalho pode ser conferido de perto. A equipe do Museu Botânico Municipal, que fica na unidade de conservação voltada ao estudo e preservação de espécies botânicas, começou a conduzir um estudo para que as pessoas possam conhecer mais sobre essa formação.

O trabalho, liderado pelo curador do museu, Marcelo Leandro Brotto, inclui palestras online voltadas para especialistas e para a comunidade.

“Depois desse tempo acompanhando a dinâmica do campo, sabemos que ele se renova a cada primavera e verão”, explica. “Fizemos uma limpeza e estamos esperando que as plantas rebrotem para que seja feito esse acompanhamento, que vai ser reportado à população”, completa.

O campo tem que ser visto de perto, de acordo com o pesquisador. Faz parte do manejo a recomposição dos caminhos de pedrisco entre os arbustos e futuras flores, para que as pessoas possam andar por eles, observar as abelhas, borboletas e besouros e fazer fotos – como nas demais coleções do Jardim Botânico

Centenas de polinizadores

Enquanto países inteiros como Portugal e o Reino Unido possuem, respectivamente, cerca de 150 e 50 espécies de borboletas, a área do campinho – como é carinhosamente chamada pela pesquisadora do Museu Botânico Maristela Zamoner – já revelou 273 desde 2019.

“Muitas borboletas se reproduzem aqui e dependem dessas plantas para o seu desenvolvimento”, contou Maristela. Mais de duas dezenas de espécies de borboletas antes desconhecidas na cidade foram descobertas na coleção.

No local também existem duas espécies de abelhas que chamaram a atenção de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e são objetos de artigos científicos em produção – a primeira, de um subgênero novo; e a segunda, de uma espécie que não era vista na cidade desde a década de 1960. 

Foi uma das borboletas encontradas no campo, lembrou a pesquisadora, a responsável pela descoberta também de uma nova espécie de maracujá no local.

Ciclos de palestras

Além de passear pelo local, mensalmente, serão promovidos ciclos de palestras transmitidas via internet, para o acompanhamento das mudanças e dos seus polinizadores. “Não é mato, é uma vegetação muito bonita e rica em biodiversidade. Conhecer os campos naturais é um passo importante para a sua preservação”, reforça o curador do Museu Botânico.

As primeiras palestras serão transmitidas nesta quinta (1/9) e sexta-feira (2/9) pelo YouTube. A de abertura vai trazer a contextualização sobre os campos e a segunda, as borboletas já encontradas por lá. 

Fonte: Prefeitura de Curitiba