Em Washington, BID reafirma ao prefeito Rafael Greca que vai dar suporte à nova concessão do transporte coletivo de Curitiba

Em Washington, BID reafirma ao prefeito Rafael Greca que vai dar suporte à nova concessão do transporte coletivo de Curitiba

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) reafirmou o compromisso de que vai dar suporte imediato à formatação do novo modelo de concessão do transporte público de Curitiba com foco na eletromobilidade.

A intenção foi manifestada ao prefeito Rafael Greca pela chefe da Divisão de Transportes do BID, Ana Maria Pinto, durante encontro realizado na sede do BID, em Washington (EUA), com especialistas de transportes do organismo.

“É muito importante para o BID fazer parte desse processo, uma vez que acompanhamos o setor de transporte coletivo durante muitos anos e vamos continuar sendo parceiros”, disse Ana Maria.

Greca viajou aos Estados Unidos a convite do BID para participar do seminário do banco Presente e Futuro dos Transportes, realizado na capital norte-americana.

Além do prefeito, participaram das reuniões de trabalho o secretário de Governo Municipal e presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Luiz Fernando Jamur; o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto; a assessora de Investimentos do Ippuc, Ana Cristina Jayme; e o assessor de Articulação Política, Lucas Navarro de Souza.

Elogio à inovação

Ana Maria elogiou o fato de Curitiba nunca deixar de inovar em soluções urbanas e no transporte coletivo e por isso o interesse em acompanhar a nova concessão do transporte coletivo, já que a concessão termina em 2025.

“Estamos avaliando um modelo de negócio de transporte coletivo para dar maior sustentabilidade, procurando separar a propriedade da frota da operação para que o sistema tenha menor vulnerabilidade e viabilidade financeira”, explicou Ana Maria.

O peso dos subsídios

O prefeito Rafael Greca relatou a dificuldade para manter o atual sistema e ao mesmo fazer melhorias contínuas para garantir o bem estar da população.

Atualmente a passagem de ônibus custa R$ 6, mas a tarifa técnica está em R$ 7,28, uma diferença que é paga com recursos do município. Isso é muito difícil porque os custos existem e exigem muitos subsídios. Se é possível separar a propriedade da frota da operação, isso será muito bom para a cidade”, comentou Greca.

Troca de experiências

Sobre a ideia da chefe do setor de transportes do BID para que Curitiba faça troca de experiências com as cidades de Santiago do Chile (Chile) e Bogotá (Colômbia), Greca sugeriu que o BID coordene um seminário em Curitiba sobre descarbonização do transporte coletivo.

“Podemos fazer um encontro sobre descarbonização para todas as cidades da América Latina. Seria um impulso importante para a sustentabilidade”, defendeu o prefeito.

Táxis elétricos

Na segunda parte da reunião, Greca propôs que o banco, através do BID Invest, financie a estrutura para apoiar a eletrificação da frota de táxis e demais veículos de Curitiba.

Para isso seria necessária a criação de infraestrutura, como a criação de pontos de abastecimento em toda cidade para dar mais comodidade aos motoristas de carros híbridos e elétricos.

“É um desafio, é muito importante para o futuro da cidade e para os próximos governantes criar esta infraestrutura de eletrificação da frota. Temos que fazer este começo, depois o projeto se completa. Como bem disse São Francisco de Assis, vamos fazer um pouco de cada vez e ao final conseguimos fazer o que parecia impossível”, disse.

Greca determinou à equipe da Prefeitura que formate uma proposta sobre este plano de eletrificação da frota para análise do organismo internacional.

Vocação para a inovação

Além do tema transporte, os especialistas também pediram uma análise do prefeito sobre a facilidade com que o curitibano abraça ações inovadoras.

O prefeito citou que mesmo com o fato de a cidade ter a primeira universidade do Brasil, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1912, ou de ter a formação da sua população por povos europeus, não são fatores preponderantes. 

“Não é isso que faz Curitiba especial, até porque atualmente a população de Curitiba é formada por pessoas de todo o Brasil e de várias partes do mundo”, ressalvou Greca.

Para Greca, o que torna Curitiba um caso especial é ter uma diretriz urbana que não se alterou nas últimas seis décadas.

“Acho que um fator especial da cidade é ter a mesma planificação urbana ao longo dos últimos 60 anos. Isso é muito importante. Os governos que se sucederam mantiveram a mesma direção de planejamento urbano”, explicou Greca.

Para garantir a continuidade deste modelo, Greca disse que vai insistir muito que as pessoas devem pesar em sua futura escolha o que é bom para a cidade.

“Se as pessoas acham bom o que está sendo feito, os modelos de planificação urbana, de sustentabilidade, de economia criativa e de cultura de inovação, então devem tomar suas decisões com base nesses parâmetros”, defendeu o prefeito. 

Ecodistritos

Ainda na sexta-feira (26/1), o prefeito se encontrou com a chefe da divisão de Habitação e Desenvolvimento Urbano do BID, Tatiana Galego. A comitiva de Curitiba apresentou os projetos do Ecodistrito Umbará/Ganchinho, Reserva Hídrica do Futuro e Ecodistrito Bacia Rio Belém.

Participaram também da reunião a coordenadora da Rede de Cidades e Prefeitos do BID, Camila Uribe, e o especialista sênior de Desenvolvimento Urbano Sustentável, Diego Garcia.

O Ecodistrito do Umbará ficará entre o Rio Barigui e a BR-277, abrangendo os bairros Caximba (Reserva da Vida Silvestre), Campo de Santana, Umbará e Ganchinho. Os trabalhos já se iniciaram com a alteração de zoneamento no trecho e a negociação com os proprietários dos terrenos da região.

Já o Ecodistrito da Bacia do Rio Belém vai da BR-277 até o Rio Atuba, passando pelos bairros Alto Boqueirão (Zoológico), Boqueirão (Parque Náutico), Uberaba (Parque da Imigração Japonesa) e Cajuru (Parque Peladeiros e Cajuru).

Reserva hídrica

Greca explicou aos técnicos do BID que teve a ideia de criar os ecodistritos durante a seca nos anos da pandemia.

“Nesse momento que faltou água eu pensei por que não criar no grande banhado que forma o Rio Iguaçu, uma reserva de 40 bilhões de metros cúbicos de água cercada por parques, dentro de uma visão multisetorial que englobe o urbano, o ambiental, o econômico e o social que é muito importante?”, disse Greca. 

Outra ideia é fazer habitação popular às margens do Rio Belém ao longo de 16 km. O prefeito citou como exemplo bem sucedido o Projeto de Gestão de Risco Climático Bairro Novo da Caximba (PGRC), que a Prefeitura está construindo em parceria com a AFD, a maior intervenção socioambiental da história recente da cidade.

Estão em andamento as obras das etapas 1, 2, 3 e 4 do Bairro Novo da Caximba, que prevê, na totalidade, reassentar 1.147 famílias e regularizar os domicílios de outras 546, organizando o território e permitindo a recuperação da área de preservação. No total, 1.693 famílias da Vila 29 de Outubro serão contempladas com o projeto.

Boa receptividade

As propostas dos ecodistritos tiveram boa receptividade dos técnicos do BID.

“Já temos recursos de cooperação técnica para começar a trabalhar em essas duas linhas de trabalho. A nossa ideia é poder acrescentar mais coisas a esse cardápio de opções que vocês já têm. Estamos pensando em realizar um workshop para trazer profissionais que têm trabalhado isso já, dentro de outros ecodistributos, em nível internacional”, comentou Diego Arcia.

Para Tatiana Galego, a ideia de criar parques é muito interessante e contribui para a melhoria da qualidade de vida da população.

“Aqui em Washington temos um exemplo de integração da diversidade urbana com a cidade. Temos o parque nacional Rock Creek no meio da cidade. Eu moro há 5 minutos do parque e sou frequentadora porque tenho um cachorro e trago ele para passear. É muito bom para a saúde da cidade, para a saúde mental da população”, disse Tatiana.

Fonte: Prefeitura de Curitiba