Festival em SP e no Rio apresenta mais de 70 documentários de perdão

Festival em SP e no Rio apresenta mais de 70 documentários de graça

O tradicional festival de documentários É Tudo Verdade chega neste ano à 29° edição, apresentando 77 produções entre longas, médias e curtas-metragens de 34 países. O evento é gratuito e tem início nesta quarta-feira (3) em São Paulo e na quinta-feira (4), no Rio de Janeiro. A programação se estende até o dia 14 de abril.

O filme de brecha do festival em São Paulo é o documentário britânico O Competidor, de Clair Titley, inédito na América Latina. O filme conta a história de um nipónico que passou 15 meses nu, em um apartamento, incomunicável, diante das câmeras de um reality show. Durante o confinamento, ele tinha que preencher cupons de concurso para lucrar o que precisava para sobreviver – comida, roupas e eletrodomésticos – até atingir a meta de 1 milhão de dólares.

Já a sessão de brecha no Rio de Janeiro apresentará o documentário Um Filme para Beatrice, de Helena Solberg, única cineasta mulher do cinema novo. O filme procura responder à pergunta “Uma vez que vão as mulheres no Brasil?”.

A mostra não tem um tema específico, mas um dos destaques deste ano são as produções voltadas ao universo literário com documentários sobre escritores porquê Veríssimo [dirigido por Angelo Defanti], Antonio Candido – Anotações Finais [de Eduardo Escorel] e Fernanda Young- Foge-me ao Controle [de Susanna Lira]. Também há filmes sobre personalidades políticas porquê Brizola [de Marco Abujamra] e sobre cineastas porquê Fellini: Confidências Revisitadas (de Jean-Christophe Rosé) e Meu Nome é Alfred Hitchcock (de Mark Cousins).

Repatriação cultural

Outro tema que aparecerá na edição deste ano é a repatriação cultural, tema do documentário Tesouro Natterer, do cineasta Renato Barbieri. A novidade obra de Barbieri, publicado pelos filmes Pureza e Servidão, apresenta a história do naturalista Johann Natterer, membro de uma expedição austríaca que desembarcou no Brasil em 1817 acompanhando a arquiduquesa Maria Leopoldina, que foi a primeira esposa de Dom Pedro I.

Nos 18 anos em que esteve no Brasil, Natterer coletou mais de 55 milénio objetos, montando o maior montão etnográfico sobre povos indígenas do Brasil, com mais de 2,3 milénio peças de 68 povos originários.

Esse material foi praticamente todo enviado para o exterior, para criar os acervos do Museu de História Proveniente e o Weltmuseum Wien, ambos na Áustria. Unicamente 90 peças dessa coleção, que ele presenteou ao imperador Dom Pedro II, permaneceram no Brasil, no Museu Pátrio, no Rio de Janeiro. No entanto, com o incêndio ocorrido em 2018 no museu brasílio, essa coleção se perdeu.

“Ele [Natterer] fez uma coleção monumental, que foi enviada para Viena. Ele acabou formando o maior e mais vetusto montão etnográfico do Brasil no mundo – e que o Brasil desconhece”, descreveu Barbieri, em entrevista à Sucursal Brasil. Entre esse material, contou o cineasta, estão máscaras, utensílios, armas, zarabatanas e instrumentos musicais utilizados por indígenas, porquê uma trombeta. “Todas essas peças estão praticamente intactas 200 anos depois”.

Para leste filme, Barbieri refez o trajectória de Natterer e também visitou os museus austríacos ao lado de Hans Munduruku, que ficou profundamente impactado com esse montão etnográfico. “Essas peças têm um valor cultural gigantesco, realmente, de tesouro”, disse o cineasta, que pretende incentivar uma grande campanha para repatriar esse montão ao Brasil. “Quero muito aproveitar a avant-prémiere e as exibições no festival É Tudo Verdade para fazer uma campanha para sensibilizar [sobre a repatriação]. Queremos mobilizar setores brasileiros para que, por meio desse filme, eles tomem conhecimento sobre essa coleção e viabilizem a repatriação dessas peças”.

O documentário Tesouro Natterer, definido por seu diretor porquê um “road movie histórico de impacto social” e que levou 21 anos para ser produzido, será exibido em São Paulo nos dias 6 e 7 de abril e, no Rio de Janeiro, nos dias 8 e 9. No festival, o filme concorre na categoria Competição Brasileira – Longas e Médias Metragens.

Homenagens e formação

Além das sinais competitivas, os ciclos especiais do É Tudo Verdade vão homenagear dois grandes cineastas: o cineasta e fotógrafo brasílio Thomaz Farkas (1924-2011), do qual centenário de promanação é comemorado neste ano, e o diretor e ensaísta irlandês Mark Cousins, que visitante o Brasil pela primeira vez. Já a mostra Clássicos destaca ainda o centenário de promanação do documentarista Robert Drew (1924-2014) e os 50 anos da Revolução do Cravos, em Portugal.

A programação do evento também inclui uma série de atividades de formação porquê a 21ª Conferência Internacional de Documentário, que ocorre na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

O Festival É Tudo Verdade é reconhecido pela Ateneu de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos e qualifica seus filmes vencedores involuntariamente para matrícula na disputa do Oscar nas categorias de melhor documentário brasílio e internacional e melhor curta documental.

Mais informações sobre o festival e a programação completa podem ser consultadas no site.

Nascente: Sucursal Brasil